Foto: SEAB / Jonas Oliveira
Foto: SEAB / Jonas Oliveira

Soja tem alta de preço na reta final da safra em Palmeira e região

 

A soja da safra 2017/2018 está com praticamente toda área plantada já colhida. O ritmo da colheita ficou um pouco atrasado devido ao clima durante o desenvolvimento da lavoura, que alongou o ciclo da cultura. Primeiro, a soja enfrentou seca e depois excesso de chuvas. O preço de venda da soja é que mudou de ritmo, pois disparou nos últimos dias. No final do mês de janeiro estava cotada em R$ 63,00, em média, a saca de 60 quilos. Em Palmeira e região, já em meados do mês de abril, o preço médio atingiu R$ 79,00 e avança para mais de R$ 80,00, devendo estabilizar-se neste patamar, segundo alguns analistas. Foram diversos fatores que permitiram esse incremento de mais de 25% em um período de 90 dias: a grande quebra na produção da Argentina, o acirramento da disputa comercial entre a China e os Estados Unidos e também uma valorização do dólar, embora leve com reflexos no preço da soja.

Segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), a safra de soja do Paraná deve render um volume de 19,1 milhões de toneladas, 4% inferior ao ano passado, quando foi recorde e atingiu 19,8 milhões de toneladas. A área ocupada com a cultura, por sua vez, alcançou um total de 5,4 milhões de hectares, 3% a mais que no ano anterior. Os níveis de produtividade voltaram para a média histórica, em torno de 3.500 quilos por hectare, de acordo com as estimativas do Deral.

Para o produtor o momento é propício para a comercialização com a valorização de 14,5% no preço da soja. Em março deste ano o preço médio da soja foi cotado, em média, por R$ 68,60 a saca, contra R$ 59,90 a saca na média do ano passado. O fato é que a comercialização da soja no Paraná se acelerou nos últimos dias por causa do agravamento do clima na Argentina, grande produtor do grão, que está enfrentando uma das maiores secas dos últimos anos. Com isso, 31% ou um terço da safra já está vendida. A falta de soja no mercado externo provocou uma procura maior pelo grão produzido no Brasil.

A safra norte-americana já foi finalizada e quem tem oferta de soja no momento é só o Brasil e Argentina, cujo volume foi reduzido por causa da seca. Com isso, o preço internacional está oscilando bastante. De acordo com o Deral, o quadro não favorece uma valorização maior porque nos Estados Unidos os preços não se alteram devido aos estoques elevados. Principalmente após a decisão da China ao não comprar a soja norte-americana, em retaliação aos EUA em sobretaxar o aço. Assim, a valorização do grão está ocorrendo mais nos portos onde os compradores pagam um prêmio ao importador.

Compensação

O cenário atual do mercado da soja está favorecendo os produtores rurais. Luiz Alberto Vantroba, economista do núcleo regional de Ponta Grossa do Departamento de Economia Rural (Deral), explica que “a elevação nos preços compensou a redução na produtividade, e isso favorece ao produtor rural, já que aumenta a rentabilidade”.

De acordo com o economista do Deral, mais de 95% da soja foram colhidos na região os Campos Gerais. O clima atual está favorecendo aos produtores, explica Vantroba. “Restam apenas as áreas mais tardias, plantadas até 10 de janeiro. Mas o tempo colaborou enormemente no mês de abril, favorecendo a qualidade do grão. Se a colheita fosse úmida teria que passar pelos secadores e isso seria uma despesa a mais”, disse ele.

 

 

Comentários

comentários

Publicidade

Curta nossa Página