SANTA CASA VAI LANÇAR CAMPANHA PARA BUSCAR APOIO DA POPULAÇÃO DIANTE DE DIFICULDADES

A provedoria da Santa Casa de Palmeira promoveu na noite de terça-feira (10), em um hotel da cidade, uma coletiva de imprensa para repassar informações sobre as dificuldades que a instituição vem enfrentando. Nos próximos dias, a Santa Casa deve lançar uma campanha de mídia para mostrar a importância do hospital no atendimento à saúde pública no município e também para buscar apoio da comunidade. O objetivo é fazer com que as pessoas vejam o hospital, que é filantrópico, como uma instituição de saúde que pertence à comunidade. Os diretores presentes foram unânimes em afirmar que, apesar da situação adversa no momento, a Santa Casa não vai paralisar suas atividades.

Apenas o site Folha, a Rádio Cruzeiro do Sul e a Rede Clima de Comunicação estiveram presentes à coletiva. Durante a apresentação, o provedor da Santa Casa, Marcos Antônio Bordinhão, relatou que o hospital enfrenta problemas de fluxo de caixa. A instituição tem dívidas devido ao atraso em pagamentos, incluindo o 13º salário dos funcionários relativo a 2019 e os salários do mês de janeiro, além de outros. Isto se deu em função de não renovação de contrato de prestação de serviços com a Secretaria de Estado da Saúde para o programa Mãe Paranaense. Bordinhão destacou a compreensão dos funcionários do hospital quanto aos atrasos nos pagamentos, mantendo o crédito na direção e continuando as atividades de rotina normalmente.

Uma previsão orçamentária para o ano de 2020, apresentada durante a coletiva, mostra uma expectativa de receita e despesa que resulta em um deficit de mais de R$ 1,1 milhão até o final do ano. De imediato, sem previsão de uma resolução rápida quanto à renovação do contrato com o Estado, a provedoria aguarda a decisão da Câmara Municipal sobre a antecipação de recursos da ordem de R$ 300 mil a serem repassados como subvenção social para poder quitar essas dívidas. Na sessão desta terça-feira do Legislativo foi aprovado requerimento da Comissão de Educação, Cultura, Bem Estar Social e Maio Ambiente, que solicita a antecipação de repasse de recursos da Câmara Municipal a Prefeitura, para que esta possa destinar à Santa Casa, segundo previsto no trâmite legal.

Outra dificuldade que o hospital enfrenta é quanto à contratação de médicos obstetras para as escalas de atendimento, requisito obrigatório da Secretaria de Estado da Saúde para a renovação do contrato de prestação de serviços através do SUS. A nova lei estadual sobre violência obstétrica, em vigor desde o final do mês de janeiro, os riscos que representa ao médico de punição, inclusive com cassação de registro junto ao conselho Regional de Medicina (CRM) e a baixa remuneração seriam os principais motivos alegados pelos profissionais para não aceitar compor a escala, segundo informou o provedor da Santa Casa, durante a coletiva.

Entre junho e dezembro do ano passado, a Santa Casa realizou 79 partos com despesas cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 69 com despesas pagas de forma particular e outros 17 com despesas cobertas por convênios, totalizando 165 procedimentos, a absoluta maioria deles através de cirurgia cesárea.

Com a recusa de obstetras, o hospital encontra ainda dificuldades para manter na escala médico clínico geral, visto que estes profissionais também não querem assumir o risco ao realizar partos, missão que caberia a eles no caso de chegada de gestante em trabalho de parto. A direção da Santa Casa tem buscado profissionais em outras cidades, dispostos a assumir a responsabilidade de atuar em Palmeira. Isto, no entanto, segundo explicado pelo provedor, eleva os custos dos serviços médicos prestados.

Negociação

Enquanto enfrenta as dificuldades, a diretoria da Santa Casa negocia com a Prefeitura de Palmeira a renovação do convênio de subvenção, o que deve acontecer no próximo mês de abril, buscando valores maiores para poder fazer frente às despesas que têm aumentado gradativamente. Atualmente, o valor mensal dos repasses é de R$ 106 mil e há uma proposta de aumento desse valor para R$ 180 mil, porém sem consenso para fechamento de acordo. Para tanto, a Santa Casa precisa assumir compromissos de ações de saúde a serem oferecidas à população atendida. Aí, volta a questão da recusa de médicos em compor na escala de atendimento do hospital. 

Ele também destacou a iniciativa do deputado federal Aliel Machado (PSB), que, após visita que fez ao hospital, comunicou o protocolo de indicação da Santa Casa de Palmeira para recebimento de recursos do Ministério da Saúde, da ordem de R$ 300 mil para investimentos. “Como é um dinheiro que tem destinação certa, apenas para aquisição de equipamentos, vamos investir para melhorar a nossa cozinha, com novos equipamentos”, informou o provedor.

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