Produção de uva no município de Palmeira deve ser ampliada com estímulo do Programa Revitis (foto: Válter José Ramos / Emater).
Produção de uva no município de Palmeira deve ser ampliada com estímulo do Programa Revitis (foto: Válter José Ramos / Emater).

Produção de uva em Palmeira deve ganhar impulso com programa estadual para o setor

 

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A produção de uva no município de Palmeira deve ganhar estímulo e impulso com um programa estadual lançado nesta terça-feira (26) pelo governo do Paraná. O Programa de Desenvolvimento e Revitalização da Viticultura Paranaense (Revitis), é destinado a estimular a produção de uvas no Paraná, em iniciativa inédita no estado. O programa está apoiado em quatro eixos: incentivo para a produção, reorganização da comercialização, desenvolvimento do turismo e apoio à agroindústria. Palmeira, que em 2018 movimentou pouco mais de R$ 3 milhões com a comercialização de uva vinífera (para fabricação de vinhos e sucos) teve participação destacada na elaboração do programa, graças ao Projeto Uva, que desde 2007 é desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Pecuária da Prefeitura Municipal, em parceria com o Instituto Emater.

Nesses 12 anos de Projeto Uva, a produção específica de uva vinífera no município deu um salto em volume e qualidade. Produtores que antes mantinham parreiras apenas para consumo próprio e fabricação artesanal de vinho e sucos, especializaram-se e, hoje, têm na uva o seu principal ou um dos principais produtos que garante renda certa. Uma significativa parcela da produção hoje tem mercado assegurado junto à uma indústria de Campo Largo. Em 2018, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB), no município de Palmeira foram cultivados 56 hectares com uva, com produção de 982 toneladas da fruta, das quais, aproximadamente 75% saíram de propriedades integradas ao Projeto Uva.

O programa Revitis é uma parceria entre o Governo do Estado, através da SEAB, suas autarquias, as universidades e a iniciativa privada, e prevê a autossuficiência da cadeia como resposta à falta de parreiras para atender a demanda da indústria paranaense. No Paraná, atualmente, falta uva para atender o aumento da demanda para a indústria instalada, cuja capacidade de processamento cresce todos os anos. Os produtores estaduais importam mais de 90% das uvas de mesa que utilizam para fazer sucos e vinhos coloniais e cerca de 84% das uvas para vinhos finos.

O Revitis pretende integrar os atores da cadeia produtiva da uva, capacitar produtores e reestruturar a rede estadual da pesquisa para a viticultura, além da promover o turismo relacionado à cultura da uva e derivados. Haverá linhas de financiamento e acompanhamento técnico. A viticultura e a vitivinicultura (produção para vinhos) têm potencial de aumentar o leque de alternativas para a geração de renda nas pequenas propriedades rurais, porque conseguem gerar mais oportunidades de emprego do que culturas extensivas.

O programa se soma à retirada do vinho do regime de substituição tributária no começo de novembro, o que já apresenta redução do preço de venda para o consumidor final.

Ações

O Revitis prevê a criação de uma câmara técnica setorial de viticultura, que será responsável por deliberar sobre as políticas públicas de integração, agroindústria, turismo e relação com os produtores, e tem como um dos principais objetivos ampliar a participação de viticultores iniciantes no processo produtivo. O programa será gerido em parceria pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Associação de Vitivinicultores do Paraná (Vinopar), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Assembleia Legislativa e secretarias da Fazenda, do Planejamento e Projetos Estruturantes e do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo.

O programa prevê, ainda, um viveiro de mudas que será montado pelo Iapar para colocar material genético de procedência à disposição dos agricultores e linhas de crédito da Fomento Paraná e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

O governador Carlos Massa Ratinho Junior lançou nesta terça-feira (26), o programa Revitis, destinado a estimular a produção de uvas no Paraná (Foto: Rodrigo Felix Leal / AEN).

O governador Carlos Massa Ratinho Junior lançou nesta terça-feira (26), o programa Revitis, destinado a estimular a produção de uvas no Paraná (Foto: Rodrigo Felix Leal / AEN).

Sucos e vinhos

A Associação de Vitivinicultores do Paraná (Vinopar) estima que a manipulação industrial tem potencial de crescimento de 57% para a fabricação de sucos e vinhos coloniais e de 342% para vinhos finos em cinco anos.

Vamos resgatar a viticultura estadual. Temos total condição de voltar a fazer do Paraná um grande produtor de uvas. O Rio Grande do Sul emprega 20 mil famílias, com média de dois hectares cada. Se a gente alcançar esse patamar no Paraná, os produtores terão renda extra de R$ 60 mil ao ano. Isso ajudará os agricultores a ficarem no campo”, afirmou Giorgeo Zanlorenzi, presidente da Vinopar.

Esse planejamento abrange ampliar a área plantada para mais de 6.000 hectares, alcançando, pelo menos, patamar de 2010 da produção. Atualmente são 3.666 hectares de área plantada – 2.049 hectares com uva de mesa e 1.617 hectares com uva rústica, para fabricação de sucos e vinhos. O Estado perdeu dez mil postos de trabalho nos últimos dez anos.

Segundo o Deral, o cultivo de uva para fins comerciais está presente em 138 municípios paranaenses, com volume de produção de 65 mil toneladas da fruta, entre uva de mesa e uva rústica. Em 2018, o faturamento bruto dos produtores girou em torno de R$ 254 milhões. A fruticultura como um todo representa 2% do faturamento rural do Paraná (R$ 1,7 bilhão por ano).

Envolvemos todos os elos da cadeia produtiva, da produção à comercialização, para aumentar o sucesso da atividade. A atividade caiu nos últimos anos, mas tem potencial de revitalização”, destacou Alessandra Maria Detoni, pesquisadora do Iapar, que participou da construção do programa. “Formamos uma rede de pesquisa em viticultura. Vamos solucionar os problemas do campo com a introdução de novos cultivares e manejo fitossanitário adequado e subsidiar o trabalho técnico dos agricultores”.

Parreiras em propriedade de Palmeira integrada ao Projeto Uva.

Parreiras em propriedade de Palmeira integrada ao Projeto Uva.

Retomada

O Revitis tem como embasamento técnico estudos recentes da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), que incluíram o Paraná como local de clima indicado para a viticultura. A partir da classificação climática, as características dos planaltos de Curitiba e de Guarapuava foram considerados semelhantes aos da Serra Gaúcha e da Serra do Sudeste, também no Rio Grande do Sul, onde a produção já se consolidou e obteve reconhecimento internacional. Essas regiões no Paraná com características de clima úmido, temperado quente e com noites amenas guardam semelhanças com regiões produtoras do Uruguai, Espanha (Galícia) e Itália (regiões de Modena e do Vêneto).

Uma das ideias é estimular a produção de uvas em áreas de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e que sejam declivosas. São áreas da região Centro-Sul de baixa exploração e que podem se tornar rentáveis e produtivas com pequenas áreas plantadas. Já, outras regiões no Estado, como o Sudoeste, o Norte e o Oeste também apresentam características climáticas ideais para produção de uva de mesa, suco e vinho – Marialva, responsável por mais de 40% da produção estadual, é uma das cidades produtoras mais conhecidas.

O Revitis ainda vai ajudar a impulsionar as atividades de diversas vinícolas já instaladas em Araucária, São José dos Pinhais, Campo Largo, Colombo e Piraquara. O cultivo de uva e produção de vinho estão presentes no Paraná desde o período da colonização por imigrantes europeus italianos e alemães, no final do seéculo 19, como é o caso de Palmeira, e início do século 20. A maior atividade se concentrou na Região Metropolitana de Curitiba até a década de 60, com grandes vinícolas economicamente competitivas, mas houve queda da produção a partir dos anos 70.

Entre os motivos desse hiato produtivo estão pragas que causaram quedas acentuadas de produtividade e, em muitos casos, perdas totais nos parreirais; e valorização do mercado imobiliário no entorno de Curitiba, o que deixou os terrenos muito caros para viticultura. Também houve o fechamento de uma unidade de pesquisa, deixando o setor carente de tecnologia. Agora, com o apoio da assistência técnica rural do setor público e do desenvolvimento da pesquisa no estado, novos parreirais destinados a uva de mesa, suco e vinho foram instalados em outras regiões do Paraná nas décadas de 70, 80 e 90, com tendência de crescimento a partir do estímulo que deve representar o Revitis.

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