Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Palmeirense doa medula óssea para paciente dos Estados Unidos

 

Revista Geraes

No dia 16 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea. Este ano, 12 dias depois da data comemorativa, o palmeirense Maurício Ripka chegava ao Hospital das Clínicas, em Curitiba, para dar início a um processo de doação de medula, que teria como destino final um morador dos Estados Unidos.

A história de Maurício como doador, porém, teve início há mais de dez anos. “Eu estava no trabalho e chegou uma equipe do Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná) ou do Banco de Sangue, não lembro bem, e perguntaram quem queria ser doador voluntário de medula óssea. Fiz a coleta naquela oportunidade e não tive mais notícias sobre isso.”, disse.

Maurício foi cadastrado no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Os dados registrados são cruzados para verificar a compatibilidade entre pacientes e doadores. Essa busca é automática e realizada constantemente em um sistema.

Em 2017 Maurício foi contatado e informado que havia uma pessoa nos Estados Unidos precisando de uma doação de medula óssea. “Eles me ligaram, contaram o fato e falaram que eu era compatível. Aceitei na hora realizar a doação, em ajudar alguém que eu nem conhecia. Agora tenho um irmão gêmeo nos Estados Unidos”, relatou o morador de Palmeira.

Existem dois tipos de doação de medula óssea: a aparentada e a não aparentada. No primeiro caso, o doador é uma pessoa da própria família e há cerca de 25% de chances de encontrar um doador compatível na família. Já na doação não aparentada, como foi o caso de Maurício, as chances do paciente encontrar um doador compatível são de uma em cada 100 mil pessoas, em média.

No dia 28 de setembro, Maurício chegou ao Hospital das Clínicas pronto para realizar a doação. “Por cinco dias frequentei o hospital. Eu ia toda manhã para tomar uma medicação que aumentava as células-tronco (células mais importantes para o transplante de medula óssea). As reações eram um pouco complicadas, pois o organismo não está acostumado com tanta célula e isso causava dores nas articulações. Mas eram dores suportáveis, bem tranquilo, algo que qualquer analgésico resolve”, comentou.

Nas quatro primeiras manhãs, Maurício passava cerca de dez minutos no hospital e depois era encaminhado para um hotel. No dia 2, na quinta manhã no hospital, aconteceu o processo de coleta do material. O método de doação a que Maurício foi submetido é chamado coleta por aférese. Neste caso, o doador faz uso de medicação por cinco dias, com o objetivo de aumentar o número de células-tronco circulantes no seu sangue. Após esse período, a pessoa faz a doação por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. Não há necessidade de internação nem de anestesia, sendo todos os procedimentos feitos pela veia.

O outro método existente é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia, e requer internação de 24 horas. A medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções e o procedimento leva em torno de 90 minutos. A medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias. A decisão sobre o método de doação mais adequado é exclusiva dos médicos assistentes, tanto do paciente quanto do doador, e será avaliada em cada caso.

Antes de realizar a doação, Maurício informou-se sobre os dois métodos. “Fiquei quatro horas e 40 minutos para retirar 266 ml de medula óssea, ou célula-tronco. O único desconforto que senti foi em ter que ficar na mesma posição. Eles realizam a retirada pela veia, através de uma agulha. Assim que terminei, saí andando do hospital, tranquilamente, sem nenhum efeito colateral”, comentou. “Também existe o método de punção, que muitas pessoas dizem que é na espinha e por isso ficam com medo de doar, mas não é assim. A retirada do material é realizada no osso da bacia”, explicou ele.

Quem pode doar

De acordo com a Redome, para se tornar um doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos de idade, estar em bom estado geral de saúde, não ter doença infecciosa ou incapacitante, não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico. Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Cadastro

É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros. No Paraná existem 26 locais, sendo os mais próximos de Palmeira estão localizados em Ponta Grossa, Curitiba e Irati. Após localizar o hemocentro de preferência, é agendada uma consulta de esclarecimento ou palestra sobre doação de medula óssea.

O voluntário à doação assina um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e preenche uma ficha com informações pessoais. É necessário apresentar o documento de identidade. Será retirada uma pequena quantidade de sangue (10ml) do candidato a doador. O sangue será analisado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que serão cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade.

Doação

Os dados pessoais e o tipo de HLA são incluídos no Redome e quando houver um paciente com possível compatibilidade, o doador é consultado para decidir quanto à doação. Por este motivo, é necessário manter os dados sempre atualizados. Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde. Somente após todas estas etapas concluídas o doador poderá ser considerado apto e realizar a doação.

Vale ressaltar que o transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. O fator que mais dificulta a realização do procedimento é justamente a falta de doador compatível. Assim, quanto mais doadores estiverem cadastrados no Redome, maior será a possibilidade de se encontrar um doador.

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