Um brinde feito com gengibirra ao pedido de tombamento da bebida como patrimônio imaterial (Foto: Rogério Lima / Folha)

Gengibirra deve ser tombada como patrimônio imaterial de Palmeira

 

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O italiano Egízio Cini chegou no Brasil, em 1891, como imigrante diretamente para Palmeira, onde passou a viver na Colônia Cecília, uma comunidade experimental anarquista que aconteceu entre 1890 e 1894. Após a dissolução da comunidade, ele permaneceu morando na cidade até 1899, quando transferiu sua fábrica de bebidas para São José dos Pinhais. Neste meio tempo, iniciou a fabricação caseira da gengibirra, uma bebida gasosa feita com gengibre, uma planta originária da Ásia, onde tem uso medicinal, trazida ao Brasil por imigrantes europeus. Agora, a gengibirra deve ser tombada como patrimônio imaterial de Palmeira.

O pedido de tombamento foi feito por descendentes de Egízio, que deram continuidade à sua atividade de fabricação de bebidas. A gengibirra é um dos tipos fabricados pela empresa Hugo Cini S/A. Hugo era filho de Egízio e herdou a fábrica do pai. Agora, é a quarta geração que responde pela administração da empresa. Dois trinetos de Egízio, Nilo Cini Júnior e Orlando Cini Júnior, estiveram em Palmeira nesta quarta-feira (20), para protocolar o pedido. Eles participaram de uma coletiva de imprensa no Palácio da Viscondessa Querubina Rosa Marcondes de Sá, sede da Prefeitura da Palmeira, para informar sobre o pedido de tombamento da gengibirra.

Quando a Cini Bebidas foi oficialmente registrada em 1904, pelo filho Hugo, a fabricação da gengibirra já era mantida pela família, sob a responsabilidade de Egízio, que inicialmente fazia o produto em casa, como destacou Nilo Cini Junior, membro da quarta geração da família no Brasil. “Ele costumava produzir gengibirra em casa para beber com a família nos fins de semana”, contou Nilo.

Para revelar aos palmeirenses o pedido de tombamento de uma das bebidas mais adoradas e consumidas no município e na região, a coletiva de imprensa teve também a presença do prefeito Edir Havechaki, do secretário de Cultura, Patrimônio Histórico, Turismo e Relações Públicas, Waldir Joanassi Filho, e da presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Palmeira, Vera Lúcia de Oliveira Mayer. Destaque-se a importância histórica de Egísio Cini para o município e da bebida para os apreciadores.

O prefeito destacou essa importância, dizendo que Palmeira tem muito orgulho da história da gengibirra, de Egizio Cini ter vindo para cá e iniciado a fábrica Cini no município. “Tudo isso, aliado a importância da Colônia Cecília. É impossível tomar um gole de gengibirra e não ser remetido ao passado, lembrar de almoços em família e tantos outros momentos especiais que vivemos acompanhados por uma gengibirra”, disse Havrechaki.

O secretário de Cultura falou sobre a importância histórica da bebida introduzida no final do século 19 nos lares palmeirenses. “É uma bebida que preserva até hoje a receita e os laços daqueles que a introduziram no Brasil, ainda no século 19, e isso, por si só, já reforça sua importância histórica. É uma bebida que tem seu sucesso e história ligados com nosso município, e nada mais justo que tombá-la como nosso patrimônio cultural imaterial”, comentou Joanassi.

O secretário também revelou que “o pedido de tombamento realizado nesta quarta-feira dá o ponta pé para as comemorações dos 200 anos de Palmeira, que será comemorado em 7 de abril”.

Quanto às comemorações do bicentenário de Palmeira, Nilo revelou que a empresa preparará uma ação especial. “Estamos estudando a possibilidade de realizar uma edição especial para os 200 anos de Palmeira, com rótulo e características que remetem à história que temos neste município”, revelou ele.

Receita mantida

Orlando Cini Júnior contou que a produção da gengibirra continua semelhante há mais de 80 anos. “Ela é muito rigorosa e praticamente artesanal. A bebida leva mais de um ano para poder ser consumida. A duração demorada do processo de produção se deve às condições específicas que circundam desde a colheita do gengibre até a bebida ser engarrafada, já que é necessário respeitar a sazonalidade da planta, que após ser colhida passa por um longo processo para extração do gengirol, a substância que dá o sabor à bebida”, contou ele.

Homenagem

No documento que pede o tombamento da gengibirra, protocolado pela Cini, a empresa destaca que “nestas condições e neste momento em que o Município de Palmeira completa 200 anos, a Família Cini presta sua justa homenagem às suas origens e solicita palpável reconhecimento da cidade para que a bebida seja tombada como Patrimônio Imaterial Cultural de Palmeira. Portanto, mesmo com a gengibirra tendo se tornado bebida conhecida em todo o estado do Paraná e a centenária Cini estar sediada em Pinhais, a bebida, a empresa e a família possuem suas raízes em Palmeira. Somado a isso, o fator da bebida preservar até hoje a receita e os laços familiares daqueles que a introduziram no Brasil ainda no século 19, reforçam sua importância histórica. E mais, como a família Cini, na figura do pioneiro Egízio Cini, está ligada à memória cultural e ao imaginário anarquista da Colônia Cecília”.

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