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Eles estão entre nós

Afinal, o que é o espiritismo? Seja o que for, o fato é que tem ganhado cada vez mais adeptos, especialmente entre as pessoas com melhor renda e maior escolaridade. Quem aponta o aumento do número de seguidores é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através dos resultados dos Censos de 2000 e 2010. Em Palmeira não é diferente. A opção pelo espiritismo também é crescente.

Há 91 anos, em Palmeira, o Centro Espírita Mário de Barros tem a missão de difundir a doutrina espírita, propagar a filosofia do espiritismo e agregar seus seguidores. Como em todo Brasil, o espiritismo tem aumentado gradativamente o número de seguidores também em Palmeira.

Atual presidente da diretoria do Centro Espírita, Gladis Schroeder de Oliveira, conta que tem sido perceptível o crescimento do número de pessoas que frequentam as palestras e atividades abertas ao público. Ela destaca que muitos procuram conforto espiritual em momentos de maiores dificuldades. Outros buscam entender os motivos de angústias e problemas na vida pessoal e familiar. Enfim, que são em ocasiões de maior sofrimento que as pessoas recorrem ao espiritismo para tentar encontrar respostas que não conseguiram encontrar em outras religiões.

Gladis confirma que foi o crescente interesse pelo espiritismo que levou à ampliação das instalações do Centro Espírita, no ano passado. A sala de reuniões ficou maior pata acomodar mais gente. Consequentemente, a biblioteca e livraria ganharam novo espaço. A entidade dispõe, ainda, de quatro salas de aula e um salão em uma construção erguida há poucos anos de frente para avenida 7 de Abril.

Cerca de 80 membros ativos dedicam-se às atividades do Centro Espírita em Palmeira. Porém, nas palestras é comum a frequência de público chegar a até 100 pessoas, conta Gladis. “Na verdade, já precisamos de mais espaço para acomodar todos os que nos têm procurado”, diz ela, em mais uma confirmação de que em Palmeira, assim como no Brasil todo, o espiritismo está ganhando mais seguidores e simpatizantes.

Atividades

No Centro Espírita Mário de Barros as atividades são constates e diversificadas para atender pessoas de todas as idades. Das crianças aos jovens e adultos, cada geração tem a necessária atenção para que o espiritismo seja compreendido e, principalmente, praticado.

Todas as segundas e quartas-feiras às 20 horas e nas terças-feiras às 16 horas são realizadas palestras com temas espíritas, segundo informação de Marli de Paula, que integra a diretoria da entidade. As palestras são abertas à participação do público, assim como a evangelização infanto-juvenil, todas as segundas-feiras,às 20 horas. E o público interessado também pode participar no último domingo de cada mês, às 15 horas, da reunião de confraternização mensal. Este evento tem palestra e lanche.

Outras atividades oferecidas a todo o público, de acordo com Marli, são as aulas de pintura e crochê, ofertadas no período da tarde. A biblioteca e a livraria do Centro Espírita também são abertas ao público. “Os livros da biblioteca podem ser emprestados desde que o interessado esteja cadastrado”, observa Marli. Ela lembra, também, que no mês de dezembro, anualmente, é realizada a Feira do Livro Espírita.

Já as atividades restritas à participação de médiuns e trabalhadores do Centro Espírita acontecem às quintas-feiras, com um grupo de irradiação e um mediúnico, às 20 horas. “No mesmo horário, às sextas-feiras, grupo mediúnico também realiza atividade com participação restrita aos médiuns e trabalhadores da casa”, segundo Marli.

Médiuns

Existe muita curiosidade e também muita especulação sobre o que acontece no Centro Espírita por parte de pessoas que não conhecem o espiritismo. A atividade dos médiuns é que desperta maior interesse, ao mesmo tempo em que é alvo de especulações. No entanto, segundo esclarece a presidente da entidade, nas sessões mediúnicas os espíritos desencarnados são orientados pelos médiuns sobre a sua condição. “Assim, podem entender o que aconteceu, aceitando a morte do corpo físico e seguir no caminho do aperfeiçoamento espiritual”, explica Gladis.

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Sim, existem espíritos que não aceitam a morte. Gladis conta que são frequentes situações do gênero e que estes espíritos agem como se ainda tivessem à sua disposição um corpo físico. “Eles estão nas casas onde moraram, nos locais onde trabalharam e junto a pessoas com as quais conviveram como faziam quando estavam entre os vivos”, diz ela. São estes os que recebem mais atenção e orientação nas sessões mediúnicas.

Ainda sobre essas sessões, que são fechadas ao público, Gladis conta que no passado elas eram abertas e muitas pessoas curiosas assistiam às sessões. “Muita gente, inclusive eu, quando criança, participava das sessões mediúnicas e acabava não entendendo o que acontecia ou ficava assustada por não conhecer o espiritismo”, conta ela. Por isso, os eventos onde ocorrem manifestações mediúnicas passaram a ser restritos aos médiuns e espíritas.

Censo de 2010

No Censo de 2010, realizado pelo IBGE, pouco mais de 3,8 milhões de brasileiros declaram ser espíritas. Constitui-se, portanto, no terceiro maior grupo religioso do país, atrás apenas dos católicos, que eram 123,2 milhões de seguidores há seis anos, e dos evangélicos pentecostais, com 12,3 milhões de fiéis na ocasião. Naquele Censo, os que se declaram sem religião chegaram a 15,3 milhões de brasileiros.

No Censo do IBGE de 2000, o número de brasileiros que se diziam espíritas era de 2,3 milhões. O crescimento de 65% verificado no Censo de 2010 revela, ainda, dados interessantes sobre os espíritas. Eles representam as maiores proporções de pessoas com escolaridade de nível superior completo (31,5%)

taxa de alfabetização (98,6%), além das menores percentagens de indivíduos sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%).

Se a formação escolar dos espíritas é maior, quanto à renda também ficam em destaque perante as demais religiões. O Censo mostra que 19,7% dos espíritas se declararam no grupo das pessoas com rendimento acima de 5 salários mínimos.

Aceitação e avanço

O que faz com que o espiritismo tenha aceitação da sociedade e avance consideravelmente em número de adeptos?

O espiritismo tem sido retratado na televisão e no cinema sob um enfoque bastante simpático. Bons exemplos são a novela “A viagem” e os filmes “Ghost – o outro lado da vida” e “O sexto sentido”. Nas obras de ficção que tiveram enorme apelo popular, após os conflitos e divergências entre os personagens bons e os maus, o bem termina vencendo o mal. Enfim, é isto que sintetiza a doutrina espírita, que prega a paz e o bem.

Para o mestre em História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fábio Luiz da Silva, a aceitação e o avanço do espiritismo no Brasil podem ser explicados pelo fato que no país é possível ser católico, judeu ou protestante e mesmo assim acreditar em reencarnação. “Pode parecer estranho, mas é isto que indica uma pesquisa realizada pelo Vox Populi, segundo a qual 59% da população brasileira acredita que já teve outras vidas, apesar de somente 3% se declararem espíritas”, afirma ele na sua tese de mestrado “A Perspectiva do além: a história na visão do Espiritismo”.

Reuniões Mediúnicas

Uma reunião mediúnica é um grupo fechado em que somente participam espíritas que tenham concluído os estudos de mediunidade, que são ministrados no Centro Espírita. O objetivo da reunião é o intercâmbio com pessoas desencarnadas, que são chamadas ‘espíritos’. Durante estas reuniões os espíritos comunicam-se com os médiuns. Comparecem espíritos de todas as classes espirituais.

Os espíritos de luz trazem mensagens edificantes e os sofredores pedem ajuda. Também têm aqueles que são trazidos pela espiritualidade pra serem doutrinados, pois estão agindo mal contra alguma pessoa e suas dores. Angústias são esclarecidas à luz do conhecimento espírita, codificado por Allan Kardec.

O médium é uma pessoa que tem sensibilidade pra perceber e se comunicar com espíritos desencarnados, ou seja, pessoas que não estão mais no seu corpo físico. Considera-se que todas as pessoas são sensíveis em algum grau, mas são considerados médiuns somente aqueles que conseguem ver, ouvir e manter comunicação com os espíritos.

O código e a doutrina

A doutrina espírita está codificada em uma obra, “O livro dos espíritos”, publicado pela primeira vez em 1857, livro-dos-espiritosescrito pelo francês Allan Kardec. Na verdade, pseudônimo do educador Hippolyte Léon Denizard Rivail. Segundo analistas, a obra delineia, é o núcleo central e, ao mesmo tempo, o arcabouço geral da doutrina espírita.

Outras quatro obras de Kardec completam a codificação da doutrina, todas a partir das bases de “O livro dos espíritos”. Os conteúdos destes livros revelam que a codificação do espiritismo se apresenta como um todo, de forma homogêneo e consequente. Os outros quatro livros de Kardec considerados fundamentais para o espiritismo são: “O evangelho segundo o espiritismo”, “O livro dos médiuns”, “A gênese” e “O céu e o inferno”, publicados entre 1861 e 1868.

Após quase 170 anos de sua publicação, “O livro dos espíritos” mantém-se sólido e atual como nos primeiros dias. Mesmo o progresso tecnológico das ciências não mudou a fundamentação. O próprio Kardec, entretanto, afirmava que o espiritismo é uma doutrina progressista e aberta. Mais do que ciência, a doutrina espírita é considerada também filosofia e religião.

Ciência, filosofia e religião

O espiritismo é ciência, segundo os espíritas, porque se trata de um conjunto organizado de conhecimentos relativos a certas categorias de fatos ou fenômenos analisados empiricamente, catalogados e relatados por seus pesquisadores, representado pelo “O livro dos médiuns”. Para embasar a afirmação, cita-se Kardec: “a fé sólida é aquela que pode encarar a razão, face a face”.

Também é filosofia, quando, inserido no contexto filosófico tradicional, embora de cunho evolucionista e metafísico, pontua a necessidade do homem ir em busca de seu auto-aperfeiçoamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a vida e o universo. Novamente, cita-se Kardec: “nascer, viver, morrer e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei”.

E o espiritismo é religião, de acordo com os espíritas, porque tem o dom de unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado por Jesus de Nazaré, permitido, dessa forma, que o homem se encontre com o próprio Criador. Outra citação de Kardec é usada: “fora da caridade não há salvação”.

 

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