Foto: Ismael de Freitas
Foto: Ismael de Freitas

Discussão de proposta para reduzir APA da Escarpa Devoniana reúne mais de 100 pessoas

 

Mais de 100 pessoas participaram na noite de quinta-feira (10), na Câmara Municipal de Palmeira, de reunião para discussão do projeto de lei que trata da redução da Área de Preservação Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana. O assunto mereceu amplo debate logo após as explanações feitas pelo deputado estadual Péricles de Mello (PT), e pelo professor Carlos Hugo Rocha, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Em suas falas, ambos manifestaram posição contrária às intenções do projeto de autoria do deputado Plauto Miró (DEM) e assinado pelos deputados Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, e Luiz Cláudio Romanelli (PSB), líder do governo na Assembleia.

O deputado falou sobre a preocupação dele e de um grupo de deputados quanto às possíveis consequências ambientais que a aprovação do projeto possa provocar. “A região dos Campos Gerais, hoje com sua paisagem tão maravilhosa de campos nativos, pode virar simplesmente um grande canteiro de pinus e eucalipto”, afirmou. O parlamentar disse que a redução da área de preservação pode servir como estímulo para a implantação de florestas para fornecimento de matéria-prima à indústria.

Fazendo uma imersão na história da região, o deputado falou sobre o conceito de Campos Gerais, um vasto território dentro do estado marcado pela paisagem de campos nativos e que serviu de cenário para muitos movimentos históricos, incluindo o tropeirismo, período em que surgiram os povoados que deram origem a cidades como Palmeira, Porto Amazonas, Ponta Grossa, Castro e outras.

A preocupação do deputado foi reforçada pelo professor da UEPG, que traçou um panorama da região da Escarpa Devoniana, que começa na região Sul do estado do Paraná e segue até o Norte, em uma paisagem que classificou como “uma das mais extraordinárias do mundo”. Rocha também apresentou algumas propostas para o desenvolvimento sustentável da região, incluindo o turismo e a agricultura orgânica, com o que, segundo ele, seria possível manter a atual área de preservação. Além do que, lembrou da presença de nascentes e mananciais de água, que devem receber proteção para manter o fornecimento de água para a população de muitas cidades paranaenses.

Entre os participantes que fizeram questionamentos ao deputado e ao professor ou manifestaram-se sobre o assunto, ficou patente a rejeição à proposta de redução da APA da Escarpa Devoniana.

Prorrogação

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palmeira, que convocou a audiência pública, deve agora atuar no sentido de mobilizar a população para que respalde o pedido de prorrogação do projeto de lei na Assembleia, abrindo possibilidade de discussão mais ampla com a sociedade, segundo informou Roselaine Barausse, presidente da entidade.

Temos o nosso posicionamento contrário ao projeto que quer a redução da APA porque envolve a vida da humanidade, pois ele põe em jogo o interesse de muitos pelo interesse de poucos. Por nosso lado, pensamos no desenvolvimento do turismo na região, com um sistema diferenciado, com o qual podemos desenvolver integralmente a região hoje ameaçada”, afirma Roselaine.

O secretário de Cultura, Turismo, Patrimônio Histórico e Relações Públicas da Prefeitura de Palmeira, Waldir Joanassi Filho, informou que a pedido do Conselho de Desenvolvimento do Turismo (Codetur), o prefeito Edir Havrechaki (PSC) deve convocar audiência pública, nos próximos dias, para promover a discussão do assunto.

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