Foto : Antonio Costa /AEN
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Deral estima em 40 milhões de toneladas a safra paranaense de grãos 2016/2017

 

Em nova reavaliação de safra, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) estima que a safra agrícola 2016/17 poderá superar 40 milhões de toneladas, entre as três safras plantadas no Paraná. O relatório do Deral, que acompanha mensalmente a evolução das lavouras, já registrou as perdas iniciais na safra de trigo, devido à geada recente, seca durante a evolução da cultura e, ainda, menor área de plantio.

De acordo com o secretário Norberto Ortigara, ainda há riscos pela frente. “Estamos praticamente na metade do inverno, sendo assim, poderão ocorrer novas perdas para os cereais de inverno como aveia, cevada, centeio, trigo e triticale”, explicou. Para o trigo, principal cereal de inverno no Paraná, as geadas ocorridas no mês de junho não causaram prejuízos às lavouras. Já as de julho causaram alguns danos que começam a ser contabilizados.

Podemos considerar essa situação como normal no período de inverno”, observou Ortigara. É importante ressaltar que as grandes lavouras já escaparam do período mais vulnerável. No entanto, o alerta permanece para o trigo e outros grãos de inverno, cujas plantas estão suscetíveis às quedas drásticas de temperaturas que poderão ocorrer até o fim da estação. “Mesmo assim, o Paraná mais uma vez colhe uma grande safra”, comemora o secretário.

Para o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, a safra de grãos de verão foi encerrada no Paraná, consolidando-se com um volume de 25 milhões de toneladas, um aumento de 24% sobre a safra do ano passado. A segunda safra de grãos, em andamento, está com expectativa de aumento de 30% sobre o mesmo período do ano passado, devendo atingir 14 milhões de toneladas puxada pelo milho segunda safra.

Nossas atenções estão concentradas na cevada e no trigo, que representam cerca de 81,5% da área cultivada no inverno e 88,3% da produção esperada. Até agora estamos bem, mesmo convivendo com frentes frias no final de abril, nos primeiros dez dias de junho e na segunda quinzena de julho com ocorrências de geadas”, explica Simioni.

Apesar do frio, chuva e agora seca, esse ano os produtores têm driblado as variações abruptas do clima. “De maneira geral, as estimativas feitas pelo Deral continuam apontando que o Paraná vem de uma sequência de boas safras, beneficiado pelo clima, como ocorreu nas demais regiões produtoras de grãos do mundo na safra 2016/2017”, observou Simioni.

Trigo

O trigo plantado no Paraná já registra perdas de 6% na produção devido às geadas recentes e período de seca que atingiu as lavouras do Oeste e Centro do Estado. Fora isso, houve redução de área ocupada pela cultura, que este ano foi 13% menor.

A expectativa inicial do Deral era colher 3 milhões de toneladas de trigo e agora foi reavaliada para 2,8 milhões de toneladas, uma perda de 200 mil toneladas do grão.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, prevê novas perdas com a previsão com a ocorrência de, pelo menos, mais duas geadas até o final do inverno, conforme estão prevendo os especialistas em clima. Além disso, essas perdas serão melhores dimensionadas à medida que as plantas crescem e revelam com mais intensidade os danos ocorridos. Segundo Godinho, 56% da área plantada (955.835 hectares) ainda está exposta a risco de geadas.

O mercado esboçou uma reação tímida a esse cenário e o produtor ainda está com o produto cotado abaixo do custo de produção. O preço de venda está estimado em R$ 36 a saca, enquanto o custo foi de R$ 38 a saca para o produtor plantar. A preocupação é que o período ainda é de entressafra e quando for de colheita, a tendência é de caírem os preços pagos ao produtor.

Soja

A safra de soja se consolidou com um volume de 19,6 milhões de toneladas, 19% a mais que no ano passado. A comercialização está mais lenta que no ano anterior por causa da queda nos preços. Segundo o economista Marcelo Garrido, em 2016, nesse mesmo período, o produtor vendeu a soja por R$ 75,00 a saca. Este ano, está cotada a R$ 60,00 a saca, uma redução de 20% devido ao excesso de oferta no mercado e também por causa do câmbio, que não está muito atraente. “Diante disso, o produtor está retendo o produto o quanto pode”, explica Garrido.

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