Foto: Folha
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Capela do Senhor Bom Jesus reformada será entregue no sábado

 

As obras de reforma da histórica Capela do Senhor Bom Jesus estão concluídas e, a partir deste sábado (21), o templo religioso será reaberto para uso. A solenidade de entrega das obras, às 16 horas, integra a programação oficial dos 199 anos de Palmeira, dado a importância da edificação na história da cidade, uma vez que desde 1836 faz parte da paisagem urbana e guarda uma rica história de fatos e acontecimentos. A celebração de uma missa solene marca a reinauguração da Capela.

A construção encontrava-se em estado bastante precário de conservação e, há pouco mais de dois anos, decidiu-se pela reforma. Porém, sem recursos financeiros suficientes para uma ação rápida e ininterrupta, o grupo religioso Legião de Maria buscou apoio do Instituto Histórico e Geográfico de Palmeira para viabilizar as intervenções necessárias. Houve acordo com a Prefeitura de Palmeira, que ficou responsável pela cessão do material necessário e, assim, partiu-se para a realização de promoções e eventos com o objetivo de arrecadar fundos para a reforma, ao mesmo tempo em que as obras foram iniciadas.

Um porém que se apresentava, potencialmente restritivo a impedir a reforma, era quanto à propriedade legal do imóvel. Assim foi consultado o Cartório do Registro de Imóveis e constatou-se não haver escritura ou documento que prove sua legal propriedade à Prefeitura ou à Paróquia. Mesmo assim optou-se por fazer a necessária regularização da documentação.

Se de propriedade da Prefeitura ou da Paróquia, é um detalhe que não vem mais ao caso, pois as obras de restauro da Capela do Senhor Bom Jesus, iniciadas em 2016, foram executadas graças à parceria firmada e religiosa, a cultural e o poder público. Nela, a Legião de Maria e o Instituto Histórico assumiram a responsabilidade de angariar os recursos para pagamento da mão de obra e a Prefeitura disponibilizou o material necessário. A comunidade participou e a empresa Baston Aerosol fez a doação das tintas para a pintura do templo.

Assim, a partir deste sábado a Capela poderá novamente receber os palmeirenses em oração ou os visitantes em contemplação, visto que tanto a praça Getúlio Vargas como a Capela fazem parte do roteiro de turismo urbano de Palmeira, como um de seus mais peculiares pontos.

História

Embora não exista registro oficial, deduz-se que, com base na tradição oral da história, Domingos Ignácio de Araújo Pimpão cedeu o terreno para o novo cemitério e, consequentemente, para a Capela. Foi ele também quem arrecadou doações para a sua edificação. “Daí pode-se concluir que, quem edificou aquele templo foram os munícipes, na época chamados apenas de paroquianos”, segundo texto da historiadora Vera Lúcia de Oliveira Mayer.

A autorização oficial para a construção da Capela do Senhor Bom Jesus, segundo registra a historiadora, “consta do termo de vistoria de 2 de dezembro de 1836 e firmado pelo padre João Crisóstemo D’Oliveira Salgado Bueno, padre colado da Vila de Paranaguá”. O pequeno templo foi erigido em “estilo colonial português com características barrocas muito simples, cuja conclusão está apontada para o ano de 1836. Foi feita com a finalidade especial de servir para a celebração de ofícios fúnebres, para nela serem encomendados os corpos levados à sepultura no novo cemitério e que ali, junto à capela, foi construído no ano de 1833 e administrado pela Paróquia”, destaca a historiadora.

Da mesma forma que o cemitério localizado nos fundos da Capela foi instalado, em 1833, deixou de ser o local de sepultamentos em 1875, quando foi construído pela Prefeitura e passou a ser utilizado o novo Cemitério Municipal, localizado no que era, na época, o final da rua Conceição. Sem uso e sem movimentação de pessoas, tanto o cemitério quanto a pequena Capela ficaram abandonados.

Foram necessários quase 75 anos para que se voltassem os olhos e os interesses para o espaço histórico que abrigava a Capela e o velho cemitério. Na primeira gestão do prefeito Benjamin Malucelli (1947-1951), aconteceu a recuperação do patrimônio, com a colocação de simulacros de sepulturas e reforma da Capela. A comunidade retornou ao local e festas religiosas passaram a acontecer ali, conforme relatos e registros, inclusive fotográficos, de antigos moradores da cidade que frequentaram tais acontecimentos. Até mesmo foram construídas barraquinhas no entorno da Capela

Na década de 1980, a Capela foi bastante utilizada para reuniões de grupos de jovens, ganhando reparos no telhado e pintura. Já no final desta mesma década, com risco de ruir devido à abertura das paredes, sob orientação de técnicos da Secretaria de Estado da Cultura foram instalados tirantes de metal e cintas de concreto para fazer a amarração das paredes de mais de 150 anos, que também ganharam pintura. O patrimônio histórico estava protegido, mais uma vez.

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